terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

BRINQUEDOS DO NADA

Uma viagem por África conduz-nos à arte da reutilização, da recriação, tanto de crianças como de adultos.

Todo o material tecnológico seja de plástico, metal, vidro ou papel terá um novo uso.

Nas mãos de um mecânico, de um artesão, de um agricultor, de um aldeão, de um professor, de uma criança...

Falta, depois, a fase seguinte, de quando é finalmente necessário reciclar e falta também tudo, todo o resto. Só não faltam sorrisos largos perante um aro de metal, um carrinho de madeira ou uma garrafa de óleo e quatro carrinhos de linha de nylon.


ESPARGOS BRAVOS

De Dezembro a Março, Abril poderás encontrar os famosos Espargos Bravos das migas e omeletes alentejanas.

As espargueiras gostam de se esconder entre matagais que crescem junto a rochas ácidas ou em olivais velhos, junto aos pés das oliveiras.

A minha experiência com os Espargos não tem passado de uma experiência etnográfica... não fosse o meu colega de colheita e eu faria migas com dentes... Não são nada fáceis de distinguir entre todos os outros verdes e tons terra que por ali abundam. Também não se coaduna com distrações ornitológicas, pois os espargos não cantam, nem voam :)

Contudo, não desistas ou troca com amigos ou vizinhos por outros produtos. Umas migas de espargos têm de ser comidas pelo menos uma vez na vida.

HERDADE DO FREIXO DO MEIO

Comer um Cozido Bio no 25 de Abril ou no Dia de São Martinho é já um hábito daqueles que não gostaria de perder.

A Herdade do Freixo do Meio abre, nestes dias, as suas portas à comunidade e parceiros.

Artesanato, Agricultura biológica, Produção animal Biológica, Cultura e uso de plantas aromáticas e medicinais, Usos sustentáveis do solo, Alimentação sustentável e as Artes cruzam-se por estes dias.

Dias magnifícos, proporcionados por anfitriões simpáticos e de braços abertos, sempre prontos a uma palavra, a um esclarecimento, a um sorriso, comprometidos com um futuro sustentável.

Não perca. Até lá visite online, sua loja, em Lisboa, no Mercado da Ribeira ou mesmo na própria Herdade.


ALDEIAS COMUNITÁRIAS & ECO-ALDEIAS

A experiência de quem viveu ou, no mínimo, de quem visitou as nossas antigas aldeias comunitárias é sempre empolgante. Um comunitarismo sem ser comunismo, uma gestão participada sem ser democracia pura, um sentido de interajuda, de comunidade, de complementaridade que assusta, que faz estremecer as nossas estruturas preconcebidas e instaladas como "únicas".

Uma recente leitura do livro "Rio Homem" de André Gago fez-me voar até à Aldeia comunitária de Vilarinho das Furnas (Gerês), afogada pelo Plano nacional hidroeletrico do estado novo. Além de ser também uma viagem pela Guerra Civil Espanhola e pela vida dupla de Salazar durante a 2ª Guerra Mundial, esta obra é um bonito quadro etnográfico sobre o funcionamento de uma aldeia comunitária.

Atualmente, na tentativa de revitalizar algumas das nossas aldeias, quase inanimadas, vários grupos de cidadãos, esforçam-se por dinamizar projetos de eco-aldeias, em torno de vivências sustentáveis, baseadas na interajuda e baixa pegada ecológica. A troca de bens, de sementes, de serviços, a interajuda, o debate de ideias, sessões de esclarecimento, estruturas de uso comum... um sem fim de possibilidades que promovem as relações pessoais, os valores da familía, da amizade, da solidariedade, do mutualismo. 


ACELGAS BRAVAS

Nos nossos passeios pelo campo descobri novos paladares. O meu Alentejo continua a ser uma fonte de surpresas. As acelgas bravas, desde que colhidas em zonas afastadas das estradas ou valas poluídas(poderão acumular poluentes), são um óptimo ingrediente para esparregados ou sopa de feijão. Os talos são também utilizáveis. Inúmeros sites de gastronomia fornecem-te boas propostas para cozinhá-las.

Colhe as folhas tenras mas deixa as folhas suficientes para a planta regenerar.

Tem boas propriedades nutritivas, especialmente como fonte de ferro e vitaminas.

Se tiveres dúvida na identificação da planta (é fácil de identificar) pesquisa por Betis vulgaris. Os talos são bastante mais finos do que a acelga cultivada e as folhas são, de um modo geral, mais pequenas e lanceoladas do que as de cultivo. Bom apetite!

FORNO SOLAR

O terraço ou varanda onde tens a horta pode e deve também ser o palco para as nossas experiências gastronómicas em Forno solar. Existem muitos modelos expeditos que podes testar antes de partir para uma construção mais pensada. Um pneu forrado com papel de alumínio ou um "papel prata" de proteger os para-brisas dos automóveis onde colocas uma panela com tampa de vidro é uma possibilidade. Podes ainda tentar com duas caixas de papelão encaixadas uma na outra, com o espaço entre elas cheio com jornal amachucado - tapas com um vidro reutilizado de uma janela ou quadro decorativo.Poderás aumentar a concentração dos raios solares com um papelaõ forrado com papel de alumínio ou prata de proteção dos automóveis. Dentro do forno, uma base de metal preta, tijoleira de barro ou placa de rocha vão aumentar a temperatura. Conforme a dimensão do forno, isolamento térmico, materiais utilizados e exposição solar assim serão os resultados. Começa por fruta assada, pizzas, pratos de arroz ou bolos de tabuleiro. Não há o perigo de queimares os alimentos. É necessário paciência... 3 a 4 horas.

COMPOSTO ORGÂNICO

Para obter um óptimo composto orgânico não necessitas de adquirir um compostor de plástico (vendidos nas grandes superfícies). Podes reservar um local do teu jardim ou quintal para ires abrindo pequenas valas onde irás incorporar os resíduos verdes e secos. As cascas de fruta, restos de vegetais, cascas de ovos, saquetas de chá, borras de café deverão ser alternadas com materiais secos como folhas secas. Na verdade o azoto dos materiais verdes deverá ser proporcional ao carbono dos secos. Uma forquilha ou um tridente irá ajudar-te a revirar os resíduos permitindo o necessário arejamento. É necessário que mantenhas um nível de humidade q.b. pois só assim as bactérias e os fungos conseguirão actuar devidamente. Se criares galinhas, os seus excrementos são muito bons. Vai cobrindo com materiais secos e pequenas quantidades de solo. Quando as valas estiverem cheias abre outras noutros locais. Não utilizes alimentos açucarados nem carne ou peixe - terás mau cheiro, bactérias perigosas e possivelmente ratos. Se só tiveres um terraço ou varanda podes fazer compostagem em caixas, adicionando aos verdes e secos, minhocas e terra já com alguns invertebrados detritívoros. Neste caso deverás ter cuidado para recolher o líquido que se forma no fundo da caixa (podes usá-lo para rega, diluindo em água).

HORTA DE TERRAÇO

Ter um jardim pequeno ou muito assombrado poderá não ser impedimento de conseguires cultivar alguns dos teus alimentos. Uma varanda solarenga ou um terraço poderá ser a solução.

Quanto às famosas garrafas pet penduradas na parede... esquece... a não ser que queiras apenas cultivar pequenas plantas aromáticas. Levam pouco solo, aquecem rápido e facilmente as raízes ficarão sem espaço, atrofiando a planta.

Para apostar em alfaces, couves, feijão ou tomate terás de esquecer recipientes pequenos. Os garrafões de plástico de 5 litros, deitados e cortados, poderão funcionar bem para 1 alface crescer em solo bem fertilizado com composto orgânico. Contudo recipientes maiores, reutilizados, como caixas de esferovite das peixarias (escolhe as mais fundas) serão uma boa solução para couves variadas, alfaces, acelgas, alhos, etc. Vai ajustando as posições das caixas conforme a exposição solar e faz periodicamente uma ligeira mobilização do solo, usando um ferro ou cana - ajudará a arejar o solo e diminuirá o número de regas necessárias. Povoa os canteiros com algumas minhocas e Bom trabalho!